quinta-feira, 27 de maio de 2010

"A pergunta"

A passagem da leitura oral para a leitura silenciosa, nos trouxe diversas mudanças positivas. No entanto, a oratória que tanto era valorizada, quase foi extinta, ficando hoje restrita a poucos eventos como discursos políticos, saraus, ou aulas e conferências. O que ganhamos e o que perdemos nessa trajetória?

Leitores silenciosos

No capítulo “A leitura silenciosa” do livro Uma história da Leitura, Manguel descreve a passagem da leitura oral para a leitura silenciosa, e as influências que estas formas de leitura tiveram na transformação dos códigos da escrita. Através de uma abordagem histórica, o autor relata alguns valores morais e religiosos, e costumes que acompanharam essas transformação que ocorreram entre os séc. IV ao XII.

A leitura silenciosa tal como hoje, tornou-se usual no Ocidente apenas no século X. Antes, as palavras escritas, destinavam-se a ser pronunciadas em voz alta, uma vez que os signos traziam implícito, como se fosse sua alma, um som particular. Nesse período, a presença da leitura oral era comum até mesmo nas bibliotecas, fato que não incomodava os leitores que já estavam acostumados com esse tipo de leitura. O texto escrito era uma conversação, posta no papel para que o parceiro mesmo ausente pudesse pronunciar as palavras destinadas a ele. Os livros eram principalmente lidos em voz alta, sendo assim as letras que os compunham não precisavam ser separadas em unidades fonéticas; bastava amarrá-las juntas em frases contínuas.

A direção em que os olhos deveriam seguir esses carretéis de letras variava de lugar para lugar e de época para época; o modo como atualmente lemos um texto no mundo ocidental - da esquerda para a direita e de cima para baixo- não é de forma alguma universal. Alguns escritos eram lidos da direita para a esquerda.

Para facilitar a leitura aos novos leitores, o texto começou a ganhar novos formatos e pontuações, primeiro com o surgimento do códice, (papiro encadernado e manuscrito em escrita contínua) adotado pelos cristãos primitivos, depois a separação das palavras, dividindo o texto em linhas de significado.

As primeiras ordenações a requererem o silêncio se iniciou com os escribas no scriptorium monástico datam do século IX , até então, os textos que copiavam eram-lhe ditados ou liam-nos eles próprios em voz alta. Alguns dogmáticos suspeitavam da nova tendência, na sua opinião, a leitura em silêncio propiciava o sonhar acordado, o pecado do ócio, "a destruição que devasta ao meio-dia".

Para os dogmáticos a leitura em silêncio acarretava também um outro perigo: um livro que pode ser lido em privado já não é susceptível de clarificação imediata ou de leitura guiada, condenação ou censura por um ouvinte. Leitores independentes como esses eram obviamente perigosos.
como viria a provar o movimento protestante que, no século XVI, defendeu que toda a gente tinha o direito de ler a palavra de Deus diretamente, sem testemunhas nem intermediários.
Livro: Uma História da Leitura
Autor:Alberto Manguel
Ed. Compahia da Letras, 2009
capítulo “Os Leitores Silenciosos”

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Os livros na Idade Média - 2º parte

No texto de Pierre Verger "Os livros na Idade Média", o autor discorre sobre as dificuldades de acesso aos livros nesse período. Elenca como principais obstáculos os fatores de ordem financeira e social. Este acesso estava restrito somente aos homens do saber, ao clérigo, aos monarcas, aos estudantes, e as bibliotecas públicas que eram poucas. Fatores como o alto custo de reprodução, vinculados ao custo do material, podem ser destacados, pois o pergaminho era muito caro, além da mão de obra, que ainda era artesanal.
Essas dificuldades geraram uma busca por um novo tipo de reprodução, a impressa, que a princípio teve uma difusão difícil,tendo como principais entraves a resistência ao novo, a baixa durabilidade, poucos títulos. No entanto, mesmo com tantas dificuldades, a reprodução impressa conquistou um alargamento significativo de público.